Ekowé – Memórias, narrativas e afetos de Experiências MAGIS

em 24 de junho de 2021 por MAGIS Brasil

No rastro da Campanha Ser Mais Amazônia, Centro MAGIS Inaciano da Juventude lança documentário sobre experiências MAGIS

“Quando não se aprende a parar a fim de admirar e apreciar o que é belo,
não surpreende que tudo se transforme em objeto de uso e abuso sem escrúpulos”

Carta Encíclica Laudato Si’ do Santo Padre Francisco sobre o Cuidado da Casa Comum

 

Produção será lançada neste sábado (26), no YouTube, reunindo memórias, narrativas e afetos de jovens a partir do estreitamento com a Casa Comum.

Tendo como princípio serem as Experiências MAGIS, realizadas pelo Programa MAGIS Brasil, verdadeiros itinerários de formação integral – responsáveis por unir e articular fé e vida, oração e comprometimento com as distintas realidades da Casa Comum – o Centro MAGIS Inaciano da Juventude (CIJ) lança, neste sábado (26), o documentário “Ekowé – Memórias, narrativas e afetos de Experiências MAGIS”. 

A produção, de média metragem, estará disponível no canal do YouTube do CIJ, costurando relatos de jovens oriundos de diferentes locais do País. As perspectivas ganham maior amplitude sobretudo por estarem sintonizadas com os apelos da Campanha Ser Mais Amazônia – temática inspiradora das ações do Programa MAGIS Brasil em 2020 e 2021 – e alinhadas com a ação do Mês Socioambiental 2021 do Centro MAGIS Inaciano da Juventude. 

A expressão presente no título do documentário remete ao povo indígena Tremembé, habitante da zona costeira do  Ceará. “Ekowé” significa vivência e, nesse sentido, deixar-se afetar profundamente. Logo, cada relato presente na película evocará, a partir das lembranças, um misto de sensações, saberes e percursos motivadores de um novo olhar sobre a vida, a natureza, as relações e a própria espiritualidade. 

O roteiro contempla as falas de quem colabora ou já colaborou com o Centro MAGIS Inaciano da Juventude, tendo como norte as seguintes experiências: o Círio de Nazaré, realizado em 2019 na cidade de Belém (PA) e tendo como participante o jovem Victor Iury; o Mochilaço Jovem, realizado em 2019 na cidade de Manaus (AM), com a participação dos jovens Clarisse Nascimento e Diego Barbosa; o Voluntariado de Média Duração no CIJ, realizado pelas jovens Sandra Cristina e Ingridy Ferreira; e o Circuito de Lives 2020, contemplando os povos indígenas e, em especial, no documentário, o relato de Neto Pitaguary, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena do Ceará. 

Todos os depoimentos para o trabalho foram gravados seguindo os cuidados sanitários em enfrentamento à Covid-19, atentando para o uso de máscara antes e depois das filmagens, utilização de álcool em gel, distanciamento e uma reduzida equipe de produção.

Voltar-se para a realidade amazônica

Solo sagrado que congrega uma riqueza universal – tanto nas feições humanas quanto naturais – a Amazônia pauta, desde o ano passado, o conjunto de ações e projetos empreendidos em todos os locais onde o Programa MAGIS Brasil está presente, otimizando a Campanha Ser Mais Amazônia. 

A iniciativa sucedeu as temáticas Ser Mais Livre e Ser Mais Consciente, desenvolvidas em anos anteriores, e emerge como resultado de muitas motivações – seja de caráter social, espiritual e/ou apostólica. O cuidado com a Casa Comum é uma preferência da Companhia Universal. Além disso, a própria Amazônia se consolida como uma Preferência Apostólica dos Jesuítas da Província do Brasil, o que demarca a relevância e a penetração do assunto. 

Em completa unidade com a Companhia de Jesus no Brasil e no mundo, a Campanha Ser Mais Amazônia reafirma o compromisso do eixo Justiça Socioambiental do MAGIS Brasil em construir, com jovens, renovadas maneiras de relação com o ambiente e transformações de práticas pessoais e institucionais.

No subsídio da Campanha, consta que a ação “propõe que nos voltemos à multiétnica, multicultural e multirreligiosa (cf. DAP, 86) realidade amazônica, ameaçada pela destruição e exploração ambiental e pela violação de direitos de sua população. Queremos, como jovens e com jovens, ‘aprender, dialogar e responder com esperança e alegria aos sinais dos tempos junto aos povos da Amazônia’ (ILSA, 34) e incentivar relações mais justas, de comunhão e de cuidado com as pessoas, com a sociedade e com a natureza”. 

Ainda compondo o horizonte de motivações da iniciativa, é importante sublinhar o Sínodo Especial para Amazônia, convocado pelo Papa Francisco e realizado em outubro de 2019. Um de seus frutos é a Exortação “Querida Amazônia”, publicada pelo pontífice no dia 12 de fevereiro do ano passado. No primeiro capítulo da exortação, intitulado “Um Sonho Social”, é possível conferir: “O nosso é o sonho duma Amazônia que integre e promova todos os seus habitantes, para poderem consolidar o bem viver”. 

Adaptar para realizar conjuntamente

Aumentando o raio de alcance das reflexões pertinentes à temática, a causa indígena – cada vez mais fraturada no cenário brasileiro atual – igualmente ganha uma maior iluminação durante a Campanha. A sensibilização do assunto pautou o  Circuito de Lives realizado pelo CIJ no ano passado, envolvendo indígenas tanto da Amazônia como do Ceará.  

Entre os temas discutidos durante o Circuito, estiveram “Defesa Territorial, Cultura e o Papel da Mulher Indígena no Contexto da Covid-19”, trabalhado em abril; “Saúde indígena e estratégias de solidariedade coletiva em tempos de Covid-19”, em maio; “Direito Ambiental e etnobiodiversidade”, no mês de junho; e “A cidade e a justiça socioambiental”, em julho. 

Neste ano, o assunto ecoa por meio do documentário “Ekowé – Memórias, narrativas e afetos de Experiências MAGIS”, em movimento de retomada de partilhas e urgências. Na produção, conforme já mencionado, a partilha derivará da perspectiva de Neto Pitaguary, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena do Ceará. No relato, o indígena atravessa as principais questões acerca da condição de seu povo, sublinhando desafios, potências e horizontes de discussão. Assim como tantas comunidades indígenas, os Pitaguary têm resistido e lutado pela defesa de seus territórios, bem como pelo acesso à saúde e à educação diferenciada e pelo respeito e proteção de suas vidas, cultura e história.  

Todas as atividades aqui apontadas convergem para um princípio adotado pelo Centro MAGIS Inaciano da Juventude diante das limitações impostas pelo cenário pandêmico: é preciso adaptar-se para continuar a realizar conjuntamente. Não à toa, a promoção de ações feito essas, de caráter virtual, e de outras já programadas. A intenção é una: fazer com que, mesmo fisicamente à distância em um tempo de lonjuras, os gestos, afetos e anseios de uma espiritualidade contemplativa e atuante possam abraçar ainda mais perspectivas. Suscitem dinâmicas de ininterrupta fricção. 

 


Texto: Diego Barbosa 

 

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