Laudato Si: Palavras que nos conduzem à vida!

em 5 de maio de 2017 por MAGIS Brasil

 

Este texto é fruto do trabalho coletivo do Grupo de Estudo da Carta Encíclica Laudato Si’ que se formou a partir de um encontro da juventude que articula e colabora no Espaço MAGIS Paraíba e da Comunidade de Vida Cristã (CVX – Profeta Peregrino), da cidade de João Pessoa (PB). Boa leitura!

 

Mulheres e homens (crianças, jovens, adultos e idosos), pobres e ricos, negros, brancos e índios, crentes e ateus, todas/os habitantes da casa comum, do planeta Terra, encontramo-nos inseridos num contexto histórico e socioeconômico, no qual a irmã terra e a mãe natureza gritam contra o mal que lhe provocamos, “por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos pensando que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la” (LS2).

Na perspectiva do cuidado com a casa comum e com o próximo, o Papa Francisco apresenta-nos uma Carta Encíclica, denominada Laudato Si’ (Louvado sejas), a qual ajuda-nos a ver a realidade, a analisá-la e a realizar ações possíveis, urgentes e necessárias. Desse modo, a referida carta, inspirada na invocação de São Francisco, que no Cântico das criaturas recorda-nos que a terra, a nossa casa comum, “se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços” (LS1). São Francisco, muitas vezes mencionado, é “o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria” (LS10), modelo de como “são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior” (LS10).

Por meio da Laudato Si’ podemos tomar consciência (muitas vezes dolorosa) da situação que se encontra a mãe terra, pois são muitos os problemas: degradação das áreas verdes (mangues, florestas, campos, etc); poluição das águas; do ar; do solo; construção de casas e prédios em áreas instáveis do ponto de vista socioambiental, descarte inadequado do lixo; dentre outros. Nesse sentido, constata-se que é urgente e profundo o desafio de cuidar da casa comum, e dos seus habitantes, tendo em vista que se os sujeitos sociais não estabelecerem uma nova relação com a natureza, a qual possibilite o surgimento de um novo homem, certamente não há de haver uma ecologia integral, que inclua claramente as dimensões humanas e sociais (LS137), indissoluvelmente ligadas com a questão ambiental.

Nesta perspectiva, o Papa Francisco propõe empreender em todos os níveis da vida social, econômica e política um diálogo honesto, que estruture processos de decisão transparentes, e recorda que nenhum projeto pode ser eficaz se não for animado por uma consciência formada e responsável, sugerindo ideias para crescer nesta direção em nível educativo, espiritual, eclesial, político e teológico.

“Toda a pretensão de cuidar e melhorar o mundo requer mudanças profundas ‘nos estilos de vida, nos modelos e produção e de consumo, nas estruturas consolidadas de poder que hoje regem as sociedades’. O progresso humano autêntico possui um caráter moral e pressupõe o pleno respeito pela pessoa humana, mas deve prestar atenção ao mundo natural” (LS5).

Sendo assim, diante do questionamento do Papa: “Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer?” (LS160). Podemos apresentar em resposta, a fala do filósofo Mário Sérgio Cortella ao proferir que o mundo que deixaremos para os nossos filhos depende dos filhos que deixaremos para o mundo. Acrescentamos que depende do tipo de consciência crítica-reflexiva, do tipo de relacionamentos com o outro, em especial com a mulher e com a natureza, dos tipos dos meios de produção e consumo que utilizamos e apresentamos aos futuros construtores da sociedade. Assim enfatizamos uma ética social, responsável em analisar as finalidades tecnológicas, pautados na dignidade de todas/os. Construindo assim uma nova antropologia, para a construção de outro mundo possível. Pois, como diz Alberto Acosta [1] “O bem viver será para todas e todos. Ou não será”. Portanto, “pensando no bem comum, hoje precisamos imperiosamente que a política e a economia, em diálogo se coloquem decididamente ao serviço da vida, especialmente da vida humana” (LS 189).

Contribuíram na produção deste material: Célia Maria da Silva – Bacharel em Serviço Social – UFRN; Juliana Ramos da Costa Henrique – Licenciada em Ciências das Religiões – UFPB; Maria Luzian Queiroga da Silveira – Licenciada em Pedagogia – UFPB; Natieli Tenório da Silva – Bacharela e Licenciada em Geografia – UFPB; Rosa Aparecida Caraça – Licenciada em Ciências Biológicas – UNICAMP.

[1] ACOSTA, Alberto. O bem viver. Editora Elefante: São Paulo, 2016.

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