Na Colômbia, Programa MAGIS Brasil participa da Claveriada 2017

em 14 de novembro de 2017 por MAGIS Brasil

Entre os dias 3 e 6 de novembro, o Programa MAGIS Brasil, representado por uma delegação de quatro jovens brasileiros, participou da Claveriada 2017, evento realizado a cada três anos pela Rede Juvenil Inaciana da Colômbia. Inspirada pela entrega generosa e incondicional do jesuíta São Pedro Claver, a Claveriada reúne jovens participantes de diferentes lugares da Colômbia para refletirem, partilharem e buscarem conjuntamente, à luz da espiritualidade inaciana, caminhos de justiça e paz para seu país.

Em 2017, o evento apresentou o tema ”Testemunhos da amizade e reconciliação”, mensagem extraída da 36º Congregação Geral da Companhia de Jesus destinada para todas as zonas de conflito e guerra no mundo onde existe presença jesuíta. Ayla, Diego, Bruno e João, que juntos configuraram a delegação brasileira na programação de atividades, partilharam seus sentimentos, percepções e atividades.

Leia, abaixo, dois textos de partilha produzidos por estes jovens.

Claveriada 2017: conexões, compromissos e abraços para toda uma vida

Em uma de suas mais belas obras, intitulada “O Livro dos Abraços”, o autor uruguaio Eduardo Galeano escreve que “enquanto acontecia, aquela alegria já estava sendo recordada pela memória e sonhada pelo sonho”. E que ela não terminaria nunca. É desta maneira – cheia, portanto, de afeto e carinho – que iniciamos nossa breve descrição do que foi para nós, Delegação Brasil, a experiência de vivenciarmos a Claveriada 2017 em Buga, município do interior da Colômbia.

Talvez a expressão que mais sintetize nosso olhar sobre o evento e passagem pelo país como um todo seja intercâmbio. Intercâmbio de partilhas, de vidas, de vivências. De culturas, informações e sorrisos. Um intercâmbio espiritual, muito mais que puramente físico, tendo em vista que o contato que tivemos foi capaz de atravessar nossas limitações humanas e pôde potencializar, em nossas mentes e atitudes, o desejo somente de em tudo amar e servir. Ser mais e experimentar o Magis. Cruzar as barreiras e chegar de forma bonita ao coração de tanta gente.

Tendo como tema a reconciliação, a Claveriada, enquanto o maior encontro de jovens com espiritualidade inaciana realizado na Colômbia, cumpriu habilmente seu objetivo de provocar em nós, seus mais de 250 participantes de distintos lugares do país, a sede de reflexão sobre o assunto. Foi enriquecedor perceber, por exemplo, o quanto a temática pensada exclusivamente para o encontro está tão intimamente ligada não apenas ao plano religioso, mas, sobretudo, à história da própria nação que sediou a experiência.

Ao mais desavisados, cabe aqui a informação de que o solo colombiano foi palco, durante mais de cinco décadas, de extrema violência e extermínio de crianças, jovens e adultos de diferentes setores da sociedade. Um passado triste, que veio à tona, no evento, de maneira sensível, embora não menos forte e crítica. Sempre com o intenso desejo de reconciliação, perdão e avaliação de nossas próprias atitudes, já que são elas que serão reverberadas, direta ou indiretamente, em um outro.

Para isso, oficinas, testemunhos e toda uma grande oferta de partilhas e falas sobre quais os desafios da juventude colombiana e latino-americana para agora, diante de um mundo que pede de nós misericórdia, paz e ações concretas. Pede-nos um olhar cristão diante de tantas adversidades e percalços na vida cotidiana. Pede-nos uma atenção maior ao pequeno, ao singelo, àquilo que geralmente passa despercebido na corrida nossa de cada dia. Para que possamos transformá-lo em algo maior, de sentidos profundos.

O compromisso de fortalecermos, então, a Rede Juvenil Inaciana, ficou marcada durante os quatro dias de evento, que soou como um pontapé inicial para tudo o que virá pela frente.

Cabe a nós, agora, no retorno aos nossos lares, a união e comunhão de forças, ideias e projetos visando, de forma particular, uma melhor articulação de trabalhos com vistas a empreender discussões de alcance mais largo e efetivo.

Expressamos o nosso agradecimento maior a todos os jovens que se retiraram de sua rotina e puderam experimentar a mensagem do Cristo Amigo, sempre em doses de alegria e amor singulares; a todos os organizadores e voluntários do evento que, cientes de sua responsabilidade e trabalho, puderam reacender a chama da luz em tantos corações; e, em especial, à Companhia de Jesus e seus representantes diretamente envolvidos, especialmente ao Padre Stivel, pela demonstração de imenso zelo e fé durante toda a condução das atividades.

Fizemos amigos, fizemos irmãos, constituímos família durante as quase duas semanas que estivemos na Colômbia. Fizemos conexões, estabelecemos compromissos. Concedemos e pedimos abraços para toda uma vida. São centelhas de nós que certamente não ficarão suspensas no ar, mas nos motivará a seguirmos sempre acreditando em nosso potencial e no de tantas outras pessoas de transformar vidas, potencializar emoções. Viver e deixar viver. E ver Deus em todas as coisas. E acreditar, cultivando a harmonia, a acolhida e a comunhão de pensamentos e ações.

Porque, afinal, apesar de pertencermos a países diferentes, formamos um só povo, um só continente, uma só voz, uma só construção. Compreendemos isso a cada diálogo realizado, cada partilha. São as mesmas lutas, as mesmas batalhas, os mesmos contrastes. Todavia, também as mesmas alegrias e vontades. Igualdades nas diferenças. Uma só linguagem espiritual: a do amor.

Vamos, assim, para o mundo, sendo testemunhas de amizade e reconciliação. Pés na estrada, então! E que Deus nos acompanhe!

Fortalecidos na fé e na comunhão,

Ayla Tapajós, Bruno Victor, Diego Barbosa e João Melo

Pela delegação do Brasil na Claveriada Valle 2017 (03 a 06 de novembro de 2017)

Peregrinos na Colômbia: Jovens testemunhos de amizade e reconciliação

Entre os dias 29 de outubro e 08 de novembro, eu, João Melo (Sinop, MT) e outros três brasileiros, Ayla Tapajós (Santarém, PA), Diego Barbosa (Fortaleza, CE) e Bruno Victor (Campinas, SP) estivemos na Colômbia para participar junto com jovens de todas as partes do país da #ClaveriadaValle2017.

Nos primeiros dias de nossa peregrinação ficamos na cidade capital, Bogotá. Os museus, as praças, cada arquitetura das casas e edifícios, cada busto, estátua e placa nos contavam a história daquele país que ainda desconhecíamos. Havia mais. As pessoas que nos acompanhavam pela cidade e as com quem nos encontrávamos pelo caminho, novos amigos, nos contavam ainda mais, e nos contavam com a vida, o que é Colômbia. Respirávamos Colômbia toda vez que, onde é que pausássemos o olhar, as verdes montanhas que subiam ao horizonte nos contavam que estávamos em terras estrangeiras. Os grafites que coloriam os muros da cidade nos contavam das manifestações artísticas e de resistência juvenil contra o sistema que sustém a desigualdade social. Os rostos dos trabalhadores que, como milhares de brasileiros e brasileiras, tomavam os ônibus cheios na volta do trabalho, os venezuelanos, imigrantes, que ali buscavam uma vida melhor, todos eles, nos contavam que Colômbia e Brasil partilham de problemas e desafios iguais.  Havia mais do vizinho país latino-americano para ver. A rica culinária, os ritmos musicais como a salsa e o reggaeton nos contavam que o povo colombiano é alegre, festivo e sabe dançar maravilhosamente. E em tudo isso, o coração como que sussurrava “ver Deus em todas as coisas”. E todas as coisas nos contavam algo da Colômbia.
Assim, descobrimos, pouco a pouco, que o lugar que nos acolhia é um país de história forte e intensa. Descobrimos também que o conflito e a guerra marcaram os últimos 50 anos dessa nação e que agora há um esforço enorme sendo empreendido para alcançar a paz.
Na pequena cidade de Buga, Valle del Cauca, entre os dias 3 a 6 de novembro, nos encontramos com mais de 250 jovens para a #ClaveriadaValle2017cujo tema foi “Jóvenes testigos de amistad y reconciliación”, que em português seria: “Jovens testemunhos de amizade e reconciliação”.  E para nós, Delegação Brasil, foi isso mesmo que a Claveriada 2017 significou.
Testigos: Testemunharam a nós os jovens da Claveriada. Testemunharam que não querem mais um país mergulhado no conflito e na violência. Testemunharam que apesar de suas diferenças regionais – o que seguramente os faz ainda mais ricos culturalmente –  e de suas opiniões diversas, desejam uma nação mais justa, humana e pacífica. Testemunharam a esperança.
Amistad: Não importa o tempo de convivência e sim a intensidade do que sentimos. Amizade são laços afetivos e efetivos que construímos no caminhar da vida e que tornam os passos mais leves, mais risonhos e com mais sentido. MAGIS. Nós, da Delegação Brasil, tão pouco nos conhecíamos antes da Claveriada 2017. Mas nossa amizade é um fruto bonito e que cresceu rápido porque resulta de corações abertos e desejosos de encontros. Movemo-nos e nos deixamos mover rumo ao novo que nos era tão familiar, construindo novos laços de amizade além-fronteiras.
Reconciliación: A reconciliação é expressão da misericórdia e do amor. Quem ama reconcilia. Os jovens colombianos que se identificam com a espiritualidade inaciana mostraram na Claveriada o desejo de em tudo amar e servir, de reconciliação consigo mesmo, com os outros e com a Casa Comum. Mais. Mostraram que tudo isso não é um palavrório bonito, mas que reconciliação é compromisso com a construção de uma realidade social e política mais solidária e fraterna.
O evento juvenil marcado por muita animação e alegria incluiu momentos de convivência, oração pessoal, partilhas, palestras, oficinas, apresentações culturais, eucaristia diária e uma peregrinação até a Basílica menor del Señor de los Milagros de Buga.
Nossa viagem terminou na cidade de Cali, onde nos reencontramos com vários jovens que participaram da Claveriada 2017 e que estudam em colégios e universidades da Companhia de Jesus. Foi bonito ver que a missão da Companhia junto a essas instituições educativas não se limita a sustentar outras obras da Companhia que carecem de recursos financeiros. Essa experiência nos ensina que é preciso acolher e assumir os colégios e universidades como lugares de presença junto as juventudes. Alegrou-me muito ver os jesuítas que trabalham nessas instituições serem tão próximos das juventudes, misturados a elas, encontrando-as pelos corredores e com muita familiaridade trocando algumas palavras, tendo suas salas abertas, onde os jovens sentem-se acolhidos, convidados a entrar, passar um tempo, gastar o intervalo entre uma aula e outra. PRESENÇA.
Red Juvenil Ignaciana da Colômbia é quem articula e organiza a Claveriada. Somos muito gratos a todos os que trabalham nela por terem nos proporcionado tamanha experiência que, concluímos, é uma experiência de Deus.

João Melo, pela delegação do Brasil na Claveriada Valle 2017 (03 a 06 de novembro de 2017)

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