Viu que sozinho não tinha tanto fruto

em 13 de maio de 2020 por MAGIS Brasil

“A mediocridade não encontra lugar na cosmovisão de Inácio”  (P. Kolvenbach)

Desde os primórdios de sua conversão, um desejo constante habita o coração de Santo Inácio: compartilhar com os outros o que ele viveu. Sua opção se apresenta como algo irresistivelmente contagioso: ele atrai, ganha a simpatia, a amizade, a admiração das pessoas pela comunicação apaixonada e serena de sua experiência de Deus. Convence, comove e converte pela firmeza e profundidade de suas convicções, pela autenticidade de suas palavras e de sua conduta, pela irradiação de sua vida espiritual. Com sua presença fomenta o ambiente e transforma as pessoas.

Há um segredo em sua capacidade de convencer e aglutinar pessoas: a identificação com Jesus Cristo. Em sua viagem à Terra Santa, Inácio ficou muito marcado com a imagem do Cristo companheiro, que o chama a trabalhar com Ele. Em cada canto daquela terra entrevia Jesus ocupado em estabelecer o Reino. E não estava só, mas com o grupo dos Apóstolos, amigos de Jesus e amigos entre si.

A exemplo de Jesus que forma seus doze apóstolos e os envia a evangelizar, Inácio concentra todos os esforços para constituir uma comunidade de ideal e de missão. Em Paris, não tardou em descobrir jovens universitários e mestres de viva inteligência, corações generosos, energia de heróis e vontade decidida de trabalhar pela glória de Deus. O que une seus primeiros amigos é a mesma experiência de Deus, a partir do seguimento de Jesus e a missão comum que assumem. Eles prolongam, no seu tempo, os gestos de Cristo, ajudam os homens a viverem a fé na bondade do Pai, a esperança da comunhão plena.

O amor que liberta e constrói

A amizade, a vida em comum, mede-se pelo amor, por atos e gestos de doação, por vivências de comunhão, por experiências de partilha do mesmo ser, da mesma vida, do mesmo sonho. O amor é olhar o/a amigo/a com olhos tão limpos, bondosos, desinteressados, tão profundos, que só desejo que o outro seja o que é. Eu o/a aceito e o/a quero tal como é. Alegro-me de vê-lo/a assim, tal como é.

Uma comunidade inaciana não é fim em si mesma, é comunidade aberta, apostólica, voltada para os desafios da Igreja e do mundo de hoje. Como comunidade inaciana, somos chamados a viver mais plenamente nossa identidade de “homens e mulheres para e com os demais”.

Sendo o bem tanto mais divino quanto mais universal, requer-se uma parceria e colaboração de todos num projeto comum. Tal cooperação encontra sua raiz na consciência de que preparar nosso mundo complexo e dividido para a vinda do Reino requer uma pluralidade de dons, experiências, capacidades, ministérios. Não somos meramente companheiros, somos amigos e amigas no Senhor! É esta a origem e a finalidade de cada comunidade inaciana: serem amigos de Jesus para a missão.

Ser mais para os demais

Impulsionados pelo espírito inaciano não podemos ficar satisfeitos como as coisas estão apenas, o conhecido, o já provado, o já existente. Sentimo-nos constantemente levados a descobrir, redefinir e buscar o magis. Para nós, as fronteiras e os limites não são obstáculos ou ponto de chegada, mas novos desafios a encarar, novas chances que nos impulsionam a um contínuo crescimento. Com efeito, é característica nossa uma santa audácia, uma certa agressividade apostólica. Um encontro com o próximo e, com ele, construir o projeto de Deus para nós.

Texto Bíblico  Jo 15, 1-17

 

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