A diferença que seduz, a diversidade que humaniza

em 12 de junho de 2019 por MAGIS Brasil

Toda autêntica vida humana é vida com os outros, é convivência, é compartilhar. E convivência implica respeitar e se alegrar com a diversidade, considerando-a riqueza. É maravilhoso que haja raças, costumes, cultura, religiões, formas de pensar diferentes. A diversidade nos permite enriquecer-nos, adquirir mais humanidade. Diferença é expressão inerente ao ser humano, é modo de pensar, de dizer, de trabalhar, de existir e de conviver. A humanidade diferenciada torna-se mais dinâmica. O tesouro da humanidade está precisamente em sua diversidade criadora. A humanidade é profundamente diversificada em seus talentos, valores originais e em sua vitalidade.

Somos diferentes, mas todos pertencemos com igual direito à “cidadania planetária” e devemos considerar a Terra como a pátria de todos. A ideia de unidade da espécie humana não deve eliminar a ideia de sua diversidade. Todos temos direito a ser singulares, direito a ser diferentes, direito a trazer e receber dos outros. Daí a importância de aprender a ver o melhor de cada pessoa e de cada povo, superando as visões estreitas e fundamentalistas de todo tipo de racismo, xenofobia, desprezo, preconceito, dominação. Saber conviver com as diferenças é sinal de maturidade.

A diversidade nos permite enriquecer-nos e adquirir mais humanidade

Cresce hoje a consciência sobre a diferença do ser humano como atração, e não como rejeição. A humanidade pós-moderna exige a diversidade de convivência sociocultural. Não podemos permanecer trancados em redutos que rejeitam as diferenças existenciais. A humanidade deixou de ser distante para tornar-se mais próxima, mediante as diferenças, os diálogos e as convergências. O mundo globalizado não pode ser apenas econômico. É chamado também a respeitar e a cultivar as diferenças entre as pessoas, as raças, as sociedades e as nações.

A diversidade racial, cultural e religiosa supera a monotonia e oferece a criatividade de muitas formas. A harmonia fecunda entre as pessoas está na diversidade das diferenças, não na repetição mecânica. O conformismo repete cópias, mas não facilita a união autêntica. Sem as diferenças entre pessoas, a sociedade seria apenas um marasmo. Por isso, as diferenças pluralistas são valores, não anomalias. Além disso, são sedutoras, não amedrontadoras. A diferença pessoal mantém certo fascínio.

As diferenças mobilizam a energia e a fertilidade criadora; elas provocam intercâmbio entre as pessoas. A diversidade é uma forma de aproximação entre os seres humanos. E deve ser vista como estimulação, não como estorvo. A diferença do outro deve ser motivo para o encontro e para o enriquecimento mútuo. A diferença é rebelde, quebra a uniformidade, convulsiona a quietude, sacode a rotina.

Segundo o pensador Emmanuel Levinas é a diferença que gera alteridade. O outro é diversificado e não repetitivo. A visão da diferença mostra que cada ser pessoal é original. Massificar as pessoas é uma forma de silenciá-las e dominá-las.

Aqueles que temem a diferença escondem-se no comodismo e na estagnação, tornam-se incapazes de viver a intercompreensão, a comunhão e o respeito recíproco. Desumanizam-se na solidão estéril e caem no fundamentalismo fechado, inimigo de toda diferenciação e cego em face da pluralidade. Aqui nasce a intolerância, que por sua vez gera o desprezo do outro diferente, e o desprego gera a agressividade que rompe a harmonia universal.

É preciso educar e preservar as diferenças humanas

Daí a importância e a urgência de aprender a valorizar o que é próprio e também o que é diferente, esforçando-se para não transformar as diferenças comuns (geográficas, culturais, de raça, de gênero) em desigualdades. Deveríamos pensar mais sobre a importância das diferenças humanas.  Deveríamos admirar as diferenças pessoais e grupais, e não lamentá-las. É necessário evitar tudo o que deforma as diferenças e desenvolver a verdadeira coexistência pessoal, social, científica, religiosa, ética. Deveríamos remover abusos e vícios que anulam a diferenças. Perverter a diferença é uma atitude que degrada a pessoa.

Valorizar o diferente implica tratar com cortesia, saber interagir, trabalhar junto, respeitar. Diferença não dispersa nem divide, mas provoca convergência crítica. Promove a unidade lúcida e criativa. Por isso é valor a ser preservado e a ser desenvolvido, é potencial a ser explicitado.

Texto Bíblico Mc 7, 24-30

 

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