Criação: amor de Deus em excesso

em 6 de fevereiro de 2020 por MAGIS Brasil

“Ao ver uma planta, uma pequena erva, uma flor, uma fruta, um pequeno verme ou qualquer outro animal, Santo Inácio contemplava e levantava os olhos aos céus, penetrando no mais interior e no mais remoto dos sentidos”
(P. Ribadaneira)

Cada criatura é uma irradiação de Deus, uma faísca da divindade, um transbordamento do amor de Deus. Tudo vem de Deus e tudo volta para Deus. Tudo fala de Deus, tudo revela o seu Amor. Cada vida, seja animal ou vegetal, é um dom e uma revelação da presença divina. Na Criação encontramos as “impressões digitais” das mãos providentes e criativas de Deus.

Tudo pode ser lugar de encontro com Deus em meio a Criação, tudo é sacramento (Deus nos fala a linguagem das coisas, dos acontecimentos, das pessoas, das alegrias). Para Inácio, tudo está “amorizado”, ou seja, cheio de Amor, tudo está cristificado e cheio de sentido. O mundo significava para ele um espaço de totalidade, onde a Graça, depois de consolá-lo, enchia seu coração de um desejo sempre maior de servir a Deus e ao próximo.

As criaturas são morada do Criador

A maior consolação que descobrira então era contemplar o céu e as estrelas. Fazia-o muitas vezes e por muito tempo, porque com isto sentia em si um muito grande esforço para servir a Nosso Senhor”. (Santo Inácio – Aut.)

Inácio vê uma bondade e uma beleza presentes em todas as manifestações do mundo visível. O Amor se faz presença, se faz visível, se manifesta em cada detalhe da Criação. A originalidade de Santo Inácio está em olhar e vislumbrar a natureza a partir de Deus, com os olhos do Amor. A partir de Deus, o ser humano encontra seu lugar e sua comunhão com toda a natureza.

As criaturas existem e são sustentadas pela força onipotente de Deus, Ele continua operando, re-criando, fazendo tudo novo. O universo se transforma no espaço e no lugar de manifestação da divindade, que se faz presente em todos os seres, tudo é sagrado. Cresce a sensação de que todos os lugares da Mãe-Terra pelos quais caminhamos são territórios sagrados. Segundo a Bíblia, a Terra é um jardim onde Deus tem prazer em caminhar. Por isso, descuidar, destruir, romper e profanar a natureza é impedir que Deus se faça vivo por nós em todas as coisas criadas.

O universo é sinfônico

Quando, a partir do nosso coração, ficarmos atentos à natureza que nos cerca, ouviremos a mensagem no silêncio que nos cerca e veremos a marca do Criador. A beleza da Criação nos cativa e sua grandeza nos assusta, sua imensidade nos fascina e nos desafia.

Essa harmonia de sons é diversidade de mensagens. Todas as coisas falam por si. Estamos mergulhados num mundo formado por uma multiplicidade de notas, sons, sinais e mensagens diferentes. O conjunto da vida é uma melodia.

A natureza nos encanta e nos faz sonhar acordados. Ela nos convida, constantemente, à admiração e ao cuidado. Ao mesmo tempo ela nos recorda que somos “terra que canta, que sente, que se abre ao Criador”. Trata-se de uma atitude contemplativa na qual a beleza, o que fascina e o diferente cativam os nossos olhos, enchem a nossa interioridade de louvor e admiração.

Essa é a dimensão contemplativa da vida

O mundo inteiro é um enorme templo da presença de Deus. Contemplar é descobrir Deus em tudo. É sentir-se sempre em Deus. Contemplação é amar a Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus. É sentir-se amado por Deus em todas as coisas e amar a Deus em todas elas.

Texto Bíblico  Dn 3, 50-90 / Gn 1

 

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