Os “ganhos econômicos” da biodiversidade

em 2 de junho de 2020 por MAGIS Brasil

B I O D I V E R S I D A D E      E       E C O N O M I A 

Um dos principais desafios da economia é seguir caminhos sustentáveis de interação com o meio ambiente. A intervenção do ser humano na natureza tanto aumentou, como diversificou de tal maneira – em especial nos últimos cem anos –, que passou a comprometer o equilíbrio e o poder de reabilitação natural de muitos ecossistemas essenciais para o convívio harmonioso entre humanidade e natureza.

A partir da revolução industrial, por volta de 1760, a exploração dos recursos naturais tornou-se mais agressiva, possuindo o incremento da mecanização. Desde então, a natureza está em xeque, pois as transformações econômicas – que fazem parte de um processo muito mais amplo: o da própria evolução cultural humana – acontecem de forma muito mais rápida, dinâmica e de resultados mais previsíveis, ao comparar com a evolução da biodiversidade, que é bem mais lenta.

O Brasil é o primeiro da lista dos 18 países mais diversos do mundo

Tem de 15% a 20% da biodiversidade da Terra, isso representa mais de 120 mil espécies de invertebrados, 9 mil de vertebrados e 4 mil espécies de plantas. O cerne da questão é que, com o crescimento da população humana associado ao uso irracional dos recursos naturais, a natureza não dispõe de tempo ágil para se regenerar, levando ao aumento de espécies extintas. Por isso, desenvolvimento econômico pautado no uso sustentável dos recursos naturais e na preservação da biodiversidade é essencial à sobrevivência das gerações presentes e futuras.

Um estudo recente da Universidade Pierre & Marie Curie (UPMC), em Paris, calculou o valor médio anual de 335 trilhões de reais pelos serviços ecossistêmicos prestados ao planeta por 17 ecossistemas anualmente. Um significativo serviço biológico, realizado de forma “gratuita” pela natureza, é a decomposição de resíduos orgânicos gerados tanto pelas atividades econômicas, quanto pelas atividades do cotidiano do ser humano. Numa escala mundial, esses resíduos totalizam cerca de 380 bilhões de toneladas anuais e são decompostos pelos organismos biodecompositores seguindo um fluxo totalmente natural. Caso fosse preciso pagar por esse serviço, de modo conservador, a decomposição desses resíduos em 2 centavos de real por quilo, equivaleria a 760 bilhões de reais anuais.

Outra necessidade é o controle biológico, onde cerca de 99% das “pestes” que atingem as colheitas podem ser controladas por microrganismos naturais e pela presença de resistência genética das plantas hospedeiras. Os benefícios econômicos gerados por esse controle biológico são estimados em, pelo menos, 500 bilhões de reais, em escala mundial, anualmente.

O “simples” existir da biodiversidade gera ganhos econômicos

Um outro ponto da biodiversidade em termos econômicos é a questão dos polinizadores (como abelhas, as borboletas e os morcegos), que são indispensáveis para os ecossistemas e, em especial, à agricultura. Os ganhos ambientais e econômicos gerados por eles são imensuráveis. Para se ter uma melhor percepção da importância dos polinizadores, cerca de um terço da produção mundial de alimentos origina-se da ação direta ou indireta dos polinizadores.

A biodiversidade possui uma particularidade que a diferencia de outros serviços ambientais. Ela não é substituível ou permutável, ou seja, quando se extingue uma espécie ou ecossistema, não há como reverter. Por isso, é indissociável ao desenvolvimento econômico a existência de políticas públicas de preservação da natureza, bem como realizar o manejo dos recursos ambientais de forma sustentável, porque a extinção da natureza implica na extinção humana, mas parece que a busca por lucro romantiza o nosso fim.

O estudo da UPMC ainda revelou que nos trópicos, a extinção das espécies é agravada, motivada pelos desmatamentos das florestas tropicais. Nessa região, a diversidade de vida possui uma magnitude quase que desconhecida pelos estudiosos da área. Essas florestas ocupam apenas 7% do território terrestre, entretanto possuem cerca de 50% das espécies, sendo que a bacia amazônica possui a biodiversidade mais rica da Terra.

Uma conversão ecológica é indispensável

Para sobrevivermos enquanto espécie humana, dependemos dos imensuráveis serviços prestados pelo meio ambiente. Por isso, a economia precisa encontrar um novo rumo, pautar seu desenvolvimento numa perspectiva sustentável. Por fim, além dos benefícios econômicos proporcionados pela biodiversidade de plantas, animais e microrganismos, a maior parte de suas contribuições não pode ser oferecida por nenhuma tecnologia humana atualmente conhecida. “Tudo está interligado”, logo, a extinção de qualquer que seja a espécie tornará cada vez mais a vida na Terra menos harmoniosa.

#SMMA #PelaNatureza #SerMaisAmazônia

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