O MAGIS Brasil apresenta sua nova coluna de espiritualidade: Reflexões Inacianas.
Toda semana disponibilizaremos conteúdos de oração, reflexão e estudo sobre a espiritualidade inaciana.

“O mundo é daqueles que hoje sabem oferecer-lhe e contagiar-lhe com horizontes e síntese de sentido” (Pedro Arrupe)

Pode vir algo bom do deserto urbano?
Vive ainda o Espírito em nossas cidades?

  • Em pleno deserto podem nascer, e nascem, as flores.
  • No centro da cidade, todos os dias, a vida se faz mais forte.

A primeira linha básica da espiritualidade das cidades-deserto, na qual vivemos, há de ser a necessária constatação de que o REINO está vivo e movendo-se com inquietude no coração e na vida dos cidadãos sofredores e expectantes diante da violência, injustiça, corrupção. São milhares de flores do Reino que nascem cada dia. O deserto é atravessado diariamente por camelos e dromedários que aguentam carregados, muitas horas, em meio a um clima asfixiante e insuportável.

“Ele carregou nossos pecados, suportou os maiores sofrimentos e humilhações e obedeceu até à morte, e morte de Cruz, por amor aos homens”.

No meio das cidades aparecem homens e mulheres especiais que carregam alegremente o sofrimento dos irmãos; são pessoas que prestam sua vida, sua acolhida e seus cuidados aos pobres, aos deficientes, aos toxicômanos, aos meninos de rua, aos anciãos. “Ser pobre, segundo o Evangelho, não é somente obrigar-se a fazer o que faz o último, o escravo; é fazê-lo com a alma e o espírito do Senhor. Isso muda tudo.” (Leclercq).

A Igreja, em seus filhos mais autênticos, nos oferece o mais belo sentido do mistério da libertação e da Cruz. A Cruz está presente e vivente, o Crucificado, que ofereceu sua vida por amor, continua oferecendo-nos seu exemplo vivo nas grandes cidades. Este deserto moderno nos permite, de vez em quando, cruzar-nos com caravanas de irmãos que carregam alegres, e muitas vezes com um profundo sentido crítico e político, a dor da humanidade, e se convertem assim em fator essencial de esperança para um futuro humanizado na cidade. Somos convidados a viver a mística dos profetas nas grandes cidades. O místico não se cansa de ser sinal de esperança e testemunha do Deus da Vida no meio das contradições da cidade. Na cidade somos chamados a abrir nossas casas e estarmos sempre prontos para receber os desafios que vem da rua.

É o Amor de Deus, recebido e comunicado, que constrói a cidade de Deus. Trata-se da MISSÃO na grande cidade, tão segura de si mesma e, no entanto, tão frágil. Para fazer escutar nela a Palavra, é necessário retroceder, tomar distância. para uma presença mais eficaz; para poder atuar é necessário discernir. O ativismo já passou. O fundamental não é fazer mais, senão idealizar ações que, por sua qualidade humana e espiritual, dão continuidade à ação de Cristo. A visita, a atitude pastoral, a itinerância, o diálogo, o caminho, o movimento e o testemunho, são aspectos, qualidades e virtudes que nos permitem perpassar todas as fronteiras e sistemas nervosos da cidade.

Texto bíblico: Gn l8, l6-33

Na oração: Procure descobrir os sinais do Reino de Deus no meio da aparente obscuridade da vida corrente.

– Trazer à mente nomes de pessoas valentes que nos contagiam e fazem crescer a esperança no seio da cidade.

“O homem pode saquear e destruir, ganhar e acumular, inventar e descobrir, mas ele é grande porque a sua alma abrange tudo. É uma terrível destruição quando ele envolve a sua alma numa concha morta de hábitos insensíveis, e quando uma fúria cega de trabalhos gira ao seu redor como furacão de poeira, fechando o horizonte. Isso mata completamente o verdadeiro espírito do seu ser, que é o espírito de compreensão. Essencialmente, o homem não é um escravo nem de si mesmo nem do mundo; ele é um amante”. (Tagore)

 

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